{"id":25582,"date":"2026-08-05T23:58:23","date_gmt":"2026-08-06T02:58:23","guid":{"rendered":"https:\/\/cmlo.co\/?p=25582"},"modified":"2026-08-05T23:58:23","modified_gmt":"2026-08-06T02:58:23","slug":"empreender-do-zero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cmlo.co\/es\/cmlo-do-zero\/empreender-do-zero\/","title":{"rendered":"R$50. Cart\u00e3o de visita. Nenhum plano B."},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Saulo Camelo<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tem um cheiro espec\u00edfico em gr\u00e1fica r\u00e1pida. Tinta fresca, papel couch\u00ea, calor de impressora. \u00c9 o cheiro de quem est\u00e1 come\u00e7ando do zero e n\u00e3o tem a menor ideia do que vem pela frente, mas decidiu vir assim mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu tinha 21 anos, a rescis\u00e3o de um emprego que acabei de deixar no bolso e uma conta banc\u00e1ria que somava exatamente R$ 50. N\u00e3o era pouco dinheiro. Era TUDO que eu tinha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com esse valor, mandei fazer cart\u00f5es de visita. Duzentos. Trezentos. N\u00e3o lembro o n\u00famero exato, mas lembro do peso daquela pilha na m\u00e3o. Lembro de pensar que cada cart\u00e3o era uma chance. Que bastava uma chance. Que eu n\u00e3o ia desperdi\u00e7ar nenhuma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu tinha meu plano A, assim como Kurt. No filme baseado em fatos, American Underdog (2021), um quarterback chamado Kurt Warner estava empacotando prateleiras em um supermercado de Iowa enquanto esperava algu\u00e9m da NFL devolver uma liga\u00e7\u00e3o. Ele tinha sido cortado duas vezes. Jogou na Arena Football League, que \u00e9 mais ou menos o equivalente a jogar na quarta divis\u00e3o quando o que voc\u00ea quer \u00e9 jogar no Super Bowl. Quatro anos ap\u00f3s empacotar carne e leite, ele foi o MVP e liderou o time o Los Angeles Rams a ser campe\u00e3o do Super Bowl no ano de 2001.<br><br>N\u00e3o conto isso como met\u00e1fora motivacional. Conto porque a estrutura \u00e9 a mesma: o que separa \u201cquem come\u00e7a\u201d de \u201cquem come\u00e7a e n\u00e3o para\u201d n\u00e3o \u00e9 talento, n\u00e3o \u00e9 timing, n\u00e3o \u00e9 rede de contato. \u00c9 a aus\u00eancia de plano B.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Warner n\u00e3o tinha para onde ir sen\u00e3o jogar. Eu n\u00e3o tinha para onde ir sen\u00e3o vender.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu era o azar\u00e3o americano tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema do plano B n\u00e3o \u00e9 que ele te conforta. \u00c9 que ele te divide.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando voc\u00ea mant\u00e9m uma sa\u00edda de emerg\u00eancia aberta, parte da sua energia vai para preservar essa sa\u00edda. Voc\u00ea trabalha com 80% porque os outros 20% est\u00e3o sempre calculando o risco de falhar. Isso \u00e9 completamente racional. E completamente paralisante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem n\u00e3o tem plano B n\u00e3o \u00e9 corajoso. \u00c9 focado, quase que insano. A equa\u00e7\u00e3o fica simples: ou isso funciona, ou passo perrengue. E quando a alternativa \u00e9 passar perrengue, voc\u00ea descobre que tem uma criatividade e uma resili\u00eancia que voc\u00ea n\u00e3o sabia que existiam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passei 12, \u00e0s vezes 16 horas por dia na rua com aqueles cart\u00f5es. Eventos, escrit\u00f3rios, com\u00e9rcios, lobbies de pr\u00e9dio. Porta a porta quando n\u00e3o tinha outro jeito. Os primeiros clientes chegaram, mas os n\u00fameros n\u00e3o fechavam, R$ 200, R$ 300 por m\u00eas, lembro at\u00e9 hoje vendi dois folders por R$ 80 para uma academia, foi o meu primeiro cliente. Isso na \u00e9poca era o suficiente para saber que estava funcionando, insuficiente para saber por quanto tempo ainda aguentaria, tanto \u00e9 que comecei com um s\u00f3cio e ele saiu, como poderia culpar ele? N\u00e3o estava funcionando. N\u00e3o estava dando certo como imaginei e sonhei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas tinha uma coisa que eu sabia com clareza cir\u00fargica: CLT estava fora de cogita\u00e7\u00e3o pra mim. N\u00e3o por orgulho, n\u00e3o por princ\u00edpio ideol\u00f3gico. Por aritm\u00e9tica. Onde eu queria chegar, o caminho empregado n\u00e3o chegava. Ent\u00e3o, o \u00fanico caminho que existia era esse, por mais que n\u00e3o estivesse dando certo AINDA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa distin\u00e7\u00e3o importa: n\u00e3o estava dando certo <em>ainda<\/em> \u00e9 diferente de n\u00e3o est\u00e1 dando certo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tem uma cena no livro <em>Outliers<\/em>, do Malcolm Gladwell, em que ele disseca por que os Beatles (a melhor banda da hist\u00f3ria &#8211; quem ousa discordar est\u00e1 errado rs.) ficaram t\u00e3o bons antes de ficarem famosos. A resposta s\u00e3o as horas em Hamburgo anos antes de lan\u00e7arem o primeiro \u00e1lbum em 1963, tocando oito horas por dia em clubes baratos para p\u00fablico b\u00eabado, anos antes de qualquer sucesso. A fama n\u00e3o criou a habilidade. A habilidade, constru\u00edda em condi\u00e7\u00f5es ruins, criou a fama.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu n\u00e3o sabia disso na \u00e9poca. Mas estava fazendo exatamente aquilo: horas em condi\u00e7\u00f5es ruins, desenvolvendo uma habilidade que eu ainda n\u00e3o conseguia vender, para um mercado que ainda n\u00e3o me conhecia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os R$ 50 e o ma\u00e7o de cart\u00f5es n\u00e3o foram o come\u00e7o de uma hist\u00f3ria de sucesso. Foram o come\u00e7o de um processo de forma\u00e7\u00e3o. A diferen\u00e7a entre as duas leituras \u00e9 o que define se algu\u00e9m aguenta os anos do meio, que s\u00e3o os mais dif\u00edceis, os mais silenciosos, os que mais pedem para que voc\u00ea abra aquela sa\u00edda de emerg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tem uma frase que virou o DNA do que constru\u00ed depois, que vai aparecer de novo sempre que for importante, em outro artigo, em outro contexto, mas que come\u00e7ou exatamente naquele momento com os cart\u00f5es na m\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o existe tentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu n\u00e3o estava tentando abrir uma <a href=\"https:\/\/creativia.com.br\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/creativia.com.br\/\" rel=\"noreferrer noopener\">agencia<\/a>. <strong>Eu estava abrindo uma ag\u00eancia.<\/strong> A distin\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sem\u00e2ntica. \u00c9 estrutural. <em>Tentar<\/em> preserva a op\u00e7\u00e3o de n\u00e3o conseguir. <em>Fazer<\/em> n\u00e3o preserva essa op\u00e7\u00e3o. Quando voc\u00ea elimina o verbo <em>tentar<\/em> do seu vocabul\u00e1rio operacional, o que sobra \u00e9 um compromisso que n\u00e3o tem sa\u00edda honrosa sen\u00e3o ser cumprido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqueles duzentos, trezentos cart\u00f5es se foram em semanas. Eu pedi mais. E fui entregar mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o tinha escrit\u00f3rio. N\u00e3o tinha s\u00f3cio. N\u00e3o tinha investidor, mentor, indica\u00e7\u00e3o, conte\u00fado no Youtube como fazer empresa milion\u00e1ria&#8230; Tinha o servi\u00e7o que poderia entregar e que de fato entreguei. E a disposi\u00e7\u00e3o de conseguir o pr\u00f3ximo cliente e entregar ao pr\u00f3ximo, sempre dando o meu melhor e com a m\u00e1xima excel\u00eancia &#8211; excel\u00eancia essa que se tornou um valor da ag\u00eancia <a href=\"https:\/\/cmlo.co\/es\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"cmlo.co\" rel=\"noreferrer noopener\">CMLO<\/a>. hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso \u00e9 o que eu diria para qualquer pessoa que est\u00e1 no come\u00e7o agora, n\u00e3o que vai ficar f\u00e1cil, n\u00e3o que o mercado vai reconhecer voc\u00ea na hora certa, n\u00e3o que o esfor\u00e7o vai ser recompensado no prazo que voc\u00ea imagina. Para ser sincero, se eu soubesse que fosse t\u00e3o dif\u00edcil provavelmente eu nem come\u00e7ava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diria que a aus\u00eancia de plano B n\u00e3o \u00e9 uma irresponsabilidade. \u00c9, \u00e0s vezes, a \u00fanica forma de se comprometer de verdade com o que voc\u00ea escolheu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E que cheiro de gr\u00e1fica r\u00e1pida, tinta fresca, papel couch\u00ea, calor de impressora, sola de sapato, espera e rua para mim, \u00e9 o cheiro de quem decidiu que ia mudar as coisas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">_____<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Este \u00e9 o primeiro artigo de uma s\u00e9rie sobre o que aprendi construindo o grupo CMLO&amp;CO do ZERO. Na pr\u00f3xima, falo sobre o que acontece quando voc\u00ea \u00e9 o designer, o financeiro, o vendedor e o estagi\u00e1rio da pr\u00f3pria empresa ao mesmo tempo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Saulo Camelo<\/em><\/li>\n<\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Saulo Camelo Tem um cheiro espec\u00edfico em gr\u00e1fica r\u00e1pida. Tinta fresca, papel couch\u00ea, calor de impressora. \u00c9 o cheiro de quem est\u00e1 come\u00e7ando do zero e n\u00e3o tem a menor ideia do que vem pela frente, mas decidiu vir assim mesmo. 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