Por Saulo Camelo
Em março de 2020, o escritório da CMLO. era um local de 40m². Tinha uma mesa, alguns monitores, fios por todo lado e cinco pessoas que às vezes precisavam se revezar no espaço porque não cabiam todas ao mesmo tempo com conforto. Não era glamouroso, mas era funcional e, principalmente, era nosso.
Em dezembro do mesmo ano, tínhamos vinte pessoas e um escritório na Av. Paulista.
Não estava deixando nada nas mãos da sorte, era tudo graças ao trabalho duro e boa leitura de mercado.
Mas como? Na pandemia? Crescimento?
Pois é. Na pandemia.
Tem um conceito em geologia chamado pressão tectônica. As placas da crosta terrestre ficam anos, décadas, séculos acumulando tensão em silêncio, até que o equilíbrio se rompe e o movimento acontece de forma abrupta, visível, irreversível. De fora, parece um evento. De dentro do processo, era inevitável.
A pandemia foi isso para o mercado digital. Não foi a causa da transformação. Foi o momento em que a tensão acumulada não aguentou mais.
As empresas que ainda resistiam ao online foram forçadas a entrar de vez. As que já estavam online precisavam escalar com urgência. E se queriam escalar, precisavam de estrutura, de conteúdo, de presença e de estratégia. Precisavam de agência. Eu tinha uma agência.
A demanda não sumiu em 2020. Ela se concentrou. E se concentrou rápido.
Quem entendeu isso antes de março ganhou o ano. Quem esperou o cenário estabilizar para agir chegou tarde, porque o cenário nunca estabiliza, e quem age só quando se sente seguro está sempre atrás de quem age quando vê a oportunidade.
Eu já havia passado anos na EUGÊNCIA. Sabia o que era operar sem estrutura, tomar decisões praticamente no escuro, crescer com o que se tinha. Aquele momento pedia exatamente essa musculatura: movimento rápido, aposta calculada e tolerância ao desconforto.
Então a gente contratou quando o mercado demitia.
Investiu quando o mercado congelava.
Entrou em verticais novas quando o mercado esperava a poeira baixar.
A poeira nunca baixa no prazo que você imagina. Você aprende a trabalhar com ela no ar.
Tem uma história muito contada e relevante sobre a origem da Apple. Steve Jobs e Steve Wozniak não começaram numa garagem porque era romântico. Começaram numa garagem porque era o que tinham. O espaço não definia a ambição, definia a urgência de crescer o suficiente para sair dali.
O nosso escritório de 40m² era a mesma coisa.
Não era símbolo de precariedade. Era o menor foguete possível apontado para onde a gente queria chegar. E foguetes pequenos com a trajetória certa chegam mais longe do que foguetes grandes mal direcionados.
Cinco pessoas em março. Vinte em dezembro.
O que aconteceu no meio foi MUITO trabalho, posicionamento e a decisão de não esperar o mundo voltar ao que era, porque o que era já tinha acabado, e quem estava esperando o antigo voltar, estava esperando algo que não ia mais existir.
Digital não foi a solução da pandemia. Foi a confirmação do que já estava em andamento. A pandemia só tirou a opção de ignorar.
Quem ignorava e foi obrigado a entrar na pressa, entrou… em pânico.
Quem já estava dentro e entendeu o momento, cresceu.
Essa distinção, entre quem reage e quem lê, é o que separa empresas que sobrevivem a crises das que saem maiores delas. Não é resiliência no sentido de aguentar. É resiliência no sentido de usar o impacto para ir mais longe.
O escritório de 40m² ficou para trás.
O que foi construído dentro dele ficou.
Este é o terceiro artigo de uma série sobre o que aprendi construindo o grupo CMLO&CO do ZERO. No próximo, falo sobre o que muda na empresa e em você quando a equipe começa a crescer de verdade. Talvez você perceba que liderar não é exatamente o que você imagina.
- Saulo Camelo