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história da CMLO
CMLO do Zero

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O cara dos R$50: a história da CMLO

septiembre 30. 2026

Por Saulo Camelo

Quando alguém te pergunta o que você diria para a sua versão de vinte e um anos, a resposta educada é conhecida. Fala de paciência, de processo, de aguentar os momentos em que tudo parece desmoronar.

Eu nunca dei essa resposta. Porque o cara dos R$50 não precisava de conselho. Precisava de uma confirmação.

O que um troféu guarda de verdade

O objeto que eu escolheria para representar a história da CMLO não é um contrato, não é uma campanha e não é um número. É um troféu.

Não pelo que comunica para quem está de fora. Pelo que guarda para quem esteve dentro. Um troféu não é o registro da vitória. A vitória durou segundos. Um troféu é a memória comprimida de tudo que veio antes: as tentativas sem retorno, as noites sem resposta, as decisões tomadas sem nenhuma garantia de que eram certas.

Ouro não nasce ouro. É pressionado, aquecido, trabalhado. O processo não aparece no resultado final. Mas é ele que faz o resultado valer alguma coisa.

A carta que eu nunca escrevi

Então vou escrever agora.

Você está com vinte e um anos. Tem um diploma de publicidade, uma rescisão no bolso que deu para imprimir um maço de cartões de visita, e uma ideia que ninguém ao redor consegue levar a sério. Vai ficar meses ganhando duzentos, trezentos reais. Vai estar completamente endividado numa fase em que deveria estar construindo. Vai passar doze, às vezes dezesseis horas na rua prospectando de porta em porta, e a maioria não vai ligar de volta.

Eu não diria para você ter menos medo. O medo era necessário. Era ele que te fazia levantar quando não havia reunião marcada. Era ele que te impedia de parar, quando parar seria a opção mais razoável e mais cômoda.

Você vai ser o exército inteiro por muito tempo. Vendas, design, atendimento, financeiro, entrega, e em muitos dias tudo isso ao mesmo tempo. Vai descobrir, nessa exaustão de fazer tudo, coisas sobre você que nenhum emprego teria te mostrado. Vai entender o que aguenta. O que se recusa a aceitar como definitivo.

Eu não diria que vai ficar fácil. Estaria mentindo. Diria que vai ficar diferente. Que a luta muda com o tempo e o que você chama de difícil muda também.

As pessoas que ficaram

Existe algo na trajetória da CMLO que os números não capturam.

É a Adriana, por exemplo, que chegou cedo, quando não havia muito a oferecer além de trabalho, e ficou. É a equipe que atravessou a pandemia operando de dentro de um apartamento de quarenta metros quadrados, vendendo por videochamada, adaptando, construindo, sem saber direito aonde aquilo ia dar. São os sócios que entraram em momentos distintos e cada um trouxe o que faltava no momento certo.

Eu diria para o cara dos R$50: preste atenção nas pessoas que ficam quando não há razão óbvia para ficar. Elas são o que a empresa realmente é. Não o escritório, não o cliente, não o case. As pessoas que ficaram.

Uma empresa de cinquenta pessoas é, antes de tudo, cinquenta conjuntos de expectativas, histórias e ambições que escolheram se juntar em torno de algo que você começou numa gráfica com cinquenta reais. Isso tem um peso que demora a chegar. Quando chega, muda tudo.

A porta que o mercado não esperava

Em algum momento, vai aparecer uma oportunidade que não cabe nos seus parâmetros de então. Um projeto maior do que o portfólio, um cliente que parece distante demais. O instinto vai dizer para cobrar o que você vale. A jogada certa, naquele momento específico, é entrar pela porta que der, não pela que parece mais digna.

Foi o que fizemos com o projeto que virou o nosso maior case até então. Trabalhamos noites, fins de semana e feriados. E quando terminou, o trabalho passou a falar antes de nós. A partir daí, outras portas se abriram, não por acaso, mas porque a prova estava feita.

Eu diria: o acesso inicial não é a proposta de valor. É o ponto de partida. O que você constrói depois é que decide se você volta ou some.

O que crescer de verdade custou

Sair da operação não é uma decisão. É um processo longo e desconfortável de aprender a confiar, corrigir sem assumir, e aceitar que o padrão construído por anos de presença precisa agora viver em outras pessoas. O processo que só você entende não é um ativo. É um gargalo com o seu nome.

A transição mais difícil que passei não foi conquistar um grande cliente nem sobreviver a uma crise. Foi parar de ser indispensável para a empresa que eu mesmo criei.

Esse talvez seja um dos capítulos mais importantes da história da CMLO: entender que crescer não significa apenas conquistar mais clientes ou aumentar a equipe. Significa construir uma empresa capaz de continuar evoluindo para além da presença constante de seu fundador.

Hoje

A CMLO não é uma empresa enorme. É uma empresa sólida, reconhecida, que atende marcas de grande porte e opera com um padrão que levou anos para ser construído. Saímos de um apartamento de quarenta metros quadrados para um escritório na Paulista. Saímos de cinco para cinquenta pessoas. Saímos de contas locais para contratos com multinacionais.

Isso não aconteceu por sorte, por timing perfeito ou por uma ideia brilhante que surgiu pronta. Aconteceu por visão, por trabalho, por não parar quando parar seria a opção óbvia, e por ter ao redor as pessoas certas nos momentos certos.

É CMLO. E ponto.

Os troféus que virão

Tem troféus que já estão na prateleira. E tem os que ainda estão sendo fundidos.

O que vem a seguir não cabe ainda neste artigo, porque boa parte ainda está sendo construída sem plateia. Novos mercados, novas formas de atender, novas lideranças sendo formadas dentro da empresa para sustentar o crescimento. O trabalho invisível que precede qualquer resultado visível.

Agora eu sei que o cara dos R$50 não precisava de conselho. Precisava saber que, do outro lado de cada fase que parecia o limite, havia uma fase maior esperando ser construída. Isso ainda é verdade. Sempre vai ser.

Comecei com R$50 e um sonho sem nome. Hoje tenho cinquenta pessoas, uma empresa em que acredito e troféus que ainda nem sei descrever. A linha de chegada não existe. Existe o que você constrói depois de cruzar cada uma delas.

O que vem a seguir para a CMLO?

Novos troféus. Alguns já estão em construção, outros ainda vão surgir de oportunidades que não existem hoje.

O que posso dizer é que a mentalidade não muda: a empresa que somos agora é o resultado do que construímos antes que ninguém estivesse olhando. O que seremos nos próximos anos vai depender do mesmo princípio.

É CMLO. E ponto.

Este foi o oitavo e último artigo da série sobre o que aprendi construindo o grupo CMLO&CO do zero. Obrigado por acompanhar. A próxima fase começa agora.

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